Já teve a impressão de que o estresse deixa você menos esperto e faz com que tome decisões ruins? Pois um estudo publicado na Psychological Science pode explicar o porquê. Pesquisadores da Universidade da Califórnia do Sul descobriram que situações estressantes mudam a forma como as pessoas avaliam riscos e recompensas.
O que acontece é que, surpreendentemente, prestamos mais atenção nos
possíveis resultados positivos de nossas escolhas quando estressados,
ignorando as desvantagens – o que pode levar a decisões das quais temos
mais chance de nos arrepender depois. Pense na situação: você quer trocar de emprego.
Assunto estressante, certo? Se você tem uma nova oportunidade, pode
acabar prestando atenção demais no salário maior e ignorando o fato de
que levará o dobro do tempo para chegar ao local de trabalho.
“O estresse é geralmente associado a experiências negativas, de modo
que nossa tendência é achar que pensaríamos mais nos aspectos negativos
de nossas decisões”, diz Mara Mather, uma das autoras do estudo. Mas
experimentos que levaram a situações de estresse, como ficar com a mão
na água gelada por alguns minutos ou dar uma palestra, mostraram que
ocorre o oposto: os aspectos positivos dominam. Vícios O foco nos pontos positivos também ajuda a explicar por que o
estresse desempenha um papel tão importante em relação aos vícios. Dá
para entender melhor, por exemplo, por que pessoas viciadas têm tanta
dificuldade para controlar seus impulsos. Elas provavelmente pensam mais
nos efeitos agradáveis do vício e ficam menos capazes de resistir a eles. O estresse também aumenta as diferenças na forma como homens e
mulheres encaram situações de risco. Enquanto os homens se tornam mais
dispostos a se envolver em situações arriscadas, as mulheres são mais
conservadoras.
Você, caro leitor, tem problemas para se concentrar e
sente que é cada vez mais difícil dar conta de todas as tarefas do dia a
dia? Experimente cultivar um novo hábito: o de deixar o smartphone de
lado, desligar a TV e o computador e deixar seu cérebro descansar e ter
devaneios (ou sonhar acordado) à vontade.
A pesquisadora e professora de educação, psicologia e neurociência na
Universidade do Sul da Califórnia, Mary Helen Immordino-Yang, escreveu
um artigo com outros colegas que trazia um levantamento da literatura
científica existente da neurociência e da ciência psicológica explorando
o que significa quando o nosso cérebro está ‘em repouso’. O trabalho foi publicado na edição de julho do periódico
“Perspectives on Psychological Science” e aponta que, quando estamos
descansando e focados em nosso mundo interior, nosso
cérebro entra no chamado “modo padrão” ou “default”. A atividade desse
modo default está ligada aos componentes do nosso funcionamento socioemocional, como autoconhecimento, julgamentos morais, desenvolvimento do raciocínio e construção de sentido do mundo que nos rodeia. Falando nisso, outra pesquisa recente, feita na Universidade da Califórnia em Santa Barbara, concluiu que ter devaneios realmente melhora a produtividade e ajuda na resolução de problemas. Immordino-Yang e seus colegas expressaram preocupação com o fato de que os ambientes urbanos e virtuais (redes sociais cabem muito bem aí) têm exigido demais de nossa atenção. Para eles, isso talvez esteja minando oportunidades de reflexão e pode ter efeitos negativos sobre o nosso desenvolvimento psicológico.
A importância do tempo “ocioso” para o aprendizado e memória Para Immordino-Yang, a reflexão e o silêncio podem ser muito importantes também para o aprendizado e memória. “O foco para dentro afeta a maneira como construímos memórias e sentidos e o modo como transferimos o que aprendemos para novos contextos”,
explica. Ela defende que as escolas incentivem o aluno a se voltar para
si mesmo, o que pode ajudar na consolidação do aprendizado em longo
prazo. “O equilíbrio é necessário entre a atenção exterior e interior,
já que o tempo gasto com a mente vagando, refletindo e imaginando também
pode melhorar a qualidade da atenção externa que as crianças podem
sustentar”, completa.
Segundo os autores, talvez a conclusão mais importante a ser extraída de pesquisas sobre o cérebro em repouso é o fato de que isso não significa uma ociosidade negativa – pelo contrário, é fundamental para aprendermos com as experiências.
Estudos já indicaram que, quando as crianças têm tempo e habilidades
necessários para a reflexão, muitas vezes se tornam mais motivadas,
menos ansiosas, têm melhor desempenho em testes e passam a planejar o
futuro de forma mais eficaz.
Calma, não é o que você está pensando. Este post não vai fazer apologia às drogas ou algo do tipo. MAS vai
afirmar que dizeres como “diga não às drogas”, “drogas fazem mal” ou
aquelas imagens horrendas nas embalagens de cigarro (que mostram
gangrena e coisas do tipo) talvez não funcionem – pelo menos para
pessoas com propensão à dependência química. Ou seja, o problema não
está no que o conselho diz, mas em como ele faz isso. Foi o que descobriu um estudo das Universidades de Indiana e de Wayne
State, nos Estados Unidos. Segundo os pesquisadores, mensagens desse
tipo (destacando consequências ou palavras negativas), embora sejam
amplamente usadas, não têm o mesmo impacto no cérebro de dependentes
químicos quanto uma mensagem positiva e, portanto, seriam ineficientes
para tentar fazer as pessoas desistirem de consumir drogas (lícitas ou
não). O estudo Usando imagens obtidas com ressonância magnética funcional, os
pesquisadores examinaram o impacto de diferentes mensagens sobre o
cérebro de dependentes químicos e comparou-os com os efeitos sobre
não-dependentes. Enquanto isso, os participantes participaram um jogo virtual que
envolve tomada de decisões, chamado Iowa Gambling Task. Quatro baralhos
de cartas apareciam em uma tela, e os participantes foram informados ou
de que iriam ganhar ou perder dinheiro escolhendo certos baralhos. O resultado Quando recebiam mensagens negativas (dizendo que a escolha de certas cartas levaria a perdas), o grupo de dependentes químicos mostrou atividade cerebral menor nas áreas que avaliam o risco.
Uma região específica envolvida aí, o córtex cingulado anterior, também
está fortemente envolvida numa variedade de desordens clínicas, como o
abuso de drogas, o TDAH, autismo, esquizofrenia e transtorno
obsessivo-compulsivo. Além disso, as mensagens negativas provocaram reações
significativamente piores e mais arriscadas no grupo dos viciados. O
resultado sugere que eles processam as mensagens de forma diferente – especialmente as que enfatizam a perda ou redução das perspectivas de ganho. Mas, para o autor principal do estudo, o professor Joshua Brown,
ainda é cedo para saber se mensagens positivas (destacando os benefícios
de se permanecer limpo, por exemplo) são mais eficazes para reduzir o
uso de drogas porque sua experiência envolveu decisões sobre o dinheiro.
Ele e sua equipe estão trabalhando para descobrir isso. O que você acha?
SINOPSE:A história desse lembra o espírito de Por um Fio: Joel Brandt um roteirista, recebe uma ligação na sua secretária eletrônica,
implorando para que ele atenda. Achando que é trote, ele deleta a
mensagem. O cara que ligou é encontrado morto, então ele é forçado a
vivenciar o enredo de um roteiro que ele roubou de um estudante, que
agora busca vingança.
Sabe aquela sensação de estar vivendo uma coisa que já aconteceu?
E aí nós ficamos na dúvida se sonhamos aquilo ou se voltamos no tempo
(vai que, né?) ou se é a nossa vida que repete muito, mesmo. Qualquer
que seja a nossa teoria, esse fenômeno, chamado de “déjà vu”, desperta a curiosidade de muitos cientistas por aí – e nenhum deles conseguiu, ainda, entender realmente do que se trata.
Quer dizer, até agora. Um estudo do Central European Institute of Technology (CEITEC MU) e da Faculdade de Medicina da Universidade de Masaryk, na República Tcheca, trouxe alguma luz sobre o mistério.
Os pesquisadores descobriram que certas estruturas cerebrais
específicas têm um impacto direto sobre isso. Exames feitos com
ressonância magnética com 113 voluntários mostraram que o hipocampo, estrutura localizada nos lobos temporais do cérebro onde as memórias se originam, eram consideravelmente menores em pessoas que vivem tendo essa sensação,
em comparação com quem nunca teve uma experiência assim. E tem mais:
quanto mais frequentes os déjà vus, menores eram essas áreas.
“Quando estimulamos o hipocampo de pacientes neurológicos,
conseguimos induzir neles a sensação de déjà vu. Ao encontrar as
diferenças estruturais no hipocampo em pessoas saudáveis que têm ou
não tal experiência, mostramos que ela está diretamente ligada à função destas estruturas cerebrais”, afirmou o autor principal do estudo, Milan Brázdil, do CEITEC.
Para ele, o déjà vu é provavelmente causado por uma superexcitação de células nervosas em hipocampos mais sensíveis. Isso causaria um pequeno “erro no sistema”: as lembranças falsas. “Tal sensibilidade maior pode ser consequência de alterações nessas regiões
do cérebro que podem ter ocorrido durante o desenvolvimento do sistema
neural”, explica Brázdil. O hipocampo é excepcionalmente vulnerável a
várias influências do ambiente externo, como as patológicas (como
inflamações) ou fisiológicas (como o stress ou privação do sono),
principalmente na primeira infância.
Apesar de parecer misterioso, o déjà vu é uma experiência comum: segundo os pesquisadores, entre 60% e 80% dos indivíduos normais já passou por isso.
Ah, o amor. Esse sentimento nobre é amplamente estudado pela ciência e
um dos nossos temas favoritos por aqui. Para ajudar você a entendê-lo
melhor, vamos publicar uma série de posts com algumas das descobertas
científicas mais recentes a esse respeito. Você vai encontrar, por
exemplo, a prova científica de que existe amor duradouro, uma
advertência importante para quem não sabe se casa ou se compra uma
bicicleta e a quebra do mito de que homens que pagam por sexo não querem
compromisso. Tem assunto de sobra para discutir na mesa de bar. - A ciência garante: o amor duradouro é possível Quando a gente começa um romance, é tudo lindo e eterno. Até acabar
em corações partidos e cada um partir para outra história. Muita gente
acha que esse é um ciclo inevitável e não acredita em amor que nunca se
acabe. Por outro lado, existem vários casais por aí que estão juntos e
felizes há décadas. O que a ciência diz sobre isso? Um estudo publicado no ano passado na Social Cognitive and Affective Neuroscience
concluiu que o amor duradouro é possível, sim. Os pesquisadores,
liderados pelo neurocientista social Arthur Aron, da Universidade Stony
Brook em Nova York, descobriram respostas neurológicas similares entre
pessoas vivendo um novo amor (naquela empolgação típica) e aqueles em
relacionamentos apaixonados de longa duração. O estudo examinou as respostas cerebrais de 10 mulheres e 7 homens
casados há um tempo que variava entre 10 e 29 anos usando ressonância
magnética funcional (fMRI). Enquanto isso, eles tinham de olhar para
fotos do rosto de seus parceiros, de conhecidos próximos e de pessoas
com quem tinham pouca familiaridade. Também foi feito o mesmo teste com casais que haviam acabado de
começar um relacionamento romântico. Estes, ao olharem para a imagem de
seu parceiro, mostraram respostas na área responsável pela liberação de
dopamina, frequentemente associada ao consumo de alimentos e álcool e
motivadora de vontades e desejos. Isso não aconteceu quando os mesmos
indivíduos viram fotos de outras pessoas. Para os 17 adultos em relacionamentos antigos (os quais garantiam
sentir pelo parceiro o mesmo amor do início do namoro), foi criada uma
escala de sete pontos que classificou a intensidade do amor que eles
sentiam em seu relacionamento. Todos eles marcaram cinco ou mais pontos. Na hora do exame da ressonância magnética, eles apresentaram
atividade semelhante aos dos novos namorados na área responsável pelo
processamento da dopamina – e quem havia sido classificado com sete
pontos mostrou atividade maior que os classificados com cinco. Mas o estudo também mostrou diferenças entre as atividades cerebrais
dos dois grupos. Quem estava em relacionamentos recentes mostrou
atividade nas regiões relacionadas à obsessão e tensão, enquanto aqueles
em relacionamentos de longo prazo apresentaram atividade nas regiões
relacionadas com a ligação emocional e o apego. Para os pesquisadores, o estudo prova que a sensação de recompensa
associada a um parceiro de longo prazo pode ser sustentada e se manter
semelhante à sentida no início de um novo relacionamento – a diferença é
que isso envolve áreas cerebrais diferentes. Segundo eles, esse é o
passo inicial para entender a biologia por trás desses relacionamentos.